Diferentes Formas de Leitura

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Quantas vezes você já ouviu discursos de que fazemos parte de um país de pessoas não leitoras? Debater essa questão e os argumentos que pautam essa percepção é complexo e exigiria mais que alguns textos.

 

Mas, pensando nisso, e a fim de auxiliar os seus estudos nesses dias de quarentena, a partir de hoje e nas próximas sextas e quartas-feiras, vamos postar alguns textos contemplando temáticas específicas: o que é ser leitor, o que lemos, quando lemos, por que lemos e como lemos. Além de proporcionar a você dicas de algumas técnicas para aprimorar o ato de ler!

 

Fonte: Pixabay (2020)

 

Ao longo do tempo, criou-se um mito popular de que, para ser considerado um leitor, seria preciso lermos livros literários. Isso se dá pelo fato de, antigamente, o acesso à cultura e à informação serem restritos a uma parcela pequena da sociedade, além de os valores de uma obra literária ser alto para os padrões sociais da época.

 

Saber ler também era questão de status, ter uma biblioteca em casa também representava, de certa forma, poder social.

 

Hoje em dia, a leitura está presente em diferentes esferas e não mais apenas, em sua grande parte, em textos impressos.

 

Os livros físicos vão dando lugar aos e-books; as bibliotecas físicas também vão assumindo um lugar no âmbito on-line; os jornais vão dando lugar às notícias on-lines etc. São inúmeras as alterações sociais que as tecnologias digitais têm trazido à modernidade recente.

 

Entretanto, ainda prevalece atualmente, em alguns casos, o estereótipo de que, para se ser um leitor, é preciso consumir livros literários clássicos, de autores de prestígio (ditos por quem, quando?), renomados ou premiados.

 

Nesse sentido, a partir de hoje, você vai poder ampliar a sua visão com relação ao que é ler e produzir textos muito além dos estereótipos culturais que separam pessoas leitoras das não leitoras; pessoas que leem bem das que não leem etc. Você vai ver que todos somos leitores em algum momento, bem como aprenderá onde, quando e como é preciso ser um leitor específico, de acordo com a necessidade que você estiver.

 

Para iniciar a nossa série de dicas de como ser um bom leitor, vamos dar o ponta-pé com as diferentes formas de leitura!

 

  • Diferentes formas de leitura

 

Diferentes aparatos de leitura

Figura: Diferentes aparatos de leitura

Ao longo da história, diferentes mídias comportaram os formatos de artefatos de leitura.

 

Como nosso foco não é fazer um panorama da história do livro ou do quesito informação, vamos restringir essas mudanças em três grandes períodos: no primeiro; os livros eram escritos à mão, o que demorava meses/anos para serem reproduzidos e disponibilizados ao leitor;

 

 depois da prensa de Gutemberg, a impressão em massa ampliou o acesso à leitura; depois da criação da internet, mais uma vez os formatos de leitura/textos foram resignificados/expandidos.

 

É importante salientar que antes da criação da escrita, propriamente dita, e, consequentemente, dos livros, não haviam leitores e escritores, por mais que existissem os desenhos rupestres. As histórias eram narradas e ouvidas, logo, tínhamos narradores e ouvintes. Como os acontecimentos eram propagados em forma oral, criou-se o que conhecemos atualmente como mito. Assim, surge nessa época a ideia da importância de se ter uma boa oratória.

 

 

Portanto, grosseiramente, a concepção de leitor só surge na humanidade após a criação da escrita.

 

Com o surgimento da escrita, da prensa de Gutemberg e da internet, as formas de ler foram sendo modificadas nessa linha do tempo. Hoje, por exemplo, nunca se leu tanto no mundo, ao contrário do que alguns discursos propagam por aí. As redes sociais são o grande exemplo dessa intensificação de leitura. Tudo o que fazemos virtualmente necessita, obrigatoriamente, de leitura. São leituras de textos verbais, não-verbais, hipertextos, links e inúmeros outros tipos de textos que se aglomeram nos ambientes digitais e no nosso cotidiano.

 

Veja na imagem a seguir os diferentes modos textuais presentes numa notícia divulgada na internet que compõem um único texto.

 

Texto típico da internet

Figura – Texto típico da internet Fonte: <https://www.tecmundo.com.br/dispositivos-moveis/150244-acontece-voce-nao-ligar-o-modo-aviao-durante-o-voo.htm>. Acesso em: 17/02/2020, às 17h05 (Adaptado para fins pedagógicos)


Repare na figura a quantidade de marcações em vermelho. Todas essas marcações representam uma intencionalidade específica na construção de sentido do texto, mas para que essas intencionalidades obtenham sucesso, é preciso que o leitor as conheça e saiba as suas respectivas funções dentro do texto. Veja a seguir cada uma delas:

 

  1. Possibilidade de compartilhar o texto em redes sociais.

  2. Imagem (linguagem não-verbal) que compõe a notícia.

  3. Autor do texto e hiperlink para acessar a origem do texto.

  4. Quantidade de compartilhamento da notícia, a fim de dar popularidade e credibilidade ao leitor. Um texto com muitos compartilhamentos é um texto de prestígio, por exemplo.

  5. Quantidade de comentários dos leitores a respeito do texto.

  6. Links com indicação de textos relacionados à temática.

  7. Hiperlinks para direcionar a algo escrito com a palavra destacada. Também exerce a função de destacar as palavra-chave do texto, neste caso, avião e celular. (O texto diz respeito ao uso do modo avião do celular durante voos)

  8. O texto propriamente dito.

Essa multiplicação de textos dentro de um outro (o principal) exige de nós uma gama de conhecimentos para compreensão e interpretação. Caso o leitor não saiba a função de algumas dessas expressões tipicamente de textos digitais, a possibilidade de construção de sentido e interpretação/compreensão pode ser comprometida.

 

A leitura de um livro impresso, de um(a) jornal/notícia ou qualquer outro texto também exige de você alguns conhecimentos prévios para que seja realizada com sucesso.

 

É importante destacar que “as práticas de leitura se desenvolvem em aprendizagens culturais das quais os sujeitos se apropriam como parte de sua identidade.” (BALTAR et al, 2011, p. 123) Logo, quanto mais acesso à cultura e percepção de mundo você tiver, mais amplo será seu conhecimento para se apropriar das temáticas dos textos e de conseguir interpretá-lo com êxito.

 

A partir do nosso próximo texto, vamos iniciar as dicas de quais são os pré-requisitos necessários para uma boa leitura em diferentes meios (digitais ou analógicos).

 

Gostou da dica? Compartilha esse texto com os seus colegas de turma e fique atento(a) à próxima postagem!

 

Escritor por: Luis Gabriel Venancio Sousa – Coordenador de Curso e responsável pelo Programa de Nivelamento da Língua Portuguesa.

 

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